Chama-se Eurostudent, vai na sexta edição, tem o financiamento dos países que nele participam e do programa da União Europeia Erasmus+, bem como dos ministérios da Educação da Alemanha e da Holanda.
O inquérito foi feito a 320 mil alunos de 28 países. As respostas permitem traçar o perfil de quem está a estudar para ter um diploma superior.
Em média, no seu percurso escolar, 7% dos estudantes do ensino superior interrompem temporariamente as suas licenciaturas ou mestrados, pelo menos durante dois semestres consecutivos, por alguma destas razões. É esta a taxa em Portugal e também no conjunto dos países analisados no Eurostudent. Croácia, Estónia, Turquia e Albânia apresentam percentagens maiores, entre os 10% e os 15%.
Portugal é dos países onde as questões económicas são as mais referidas para justificar a pausa: 41% dos estudantes que interrompem temporariamente os estudos superiores dizem que o motivo principal é “dificuldades económicas”. Nos 28 países analisados, a percentagem dos que alegam o mesmo é de 27%.
A falta de motivação é apontada por 35% dos portugueses, não muito longe da média internacional, que é de 31%. É a segunda razão mais mencionada. Portugal volta a estar fora da regra noutro aspecto: na maior parte dos países é nos cursos de mestrado que é mais frequente interromper os estudos; aqui, é mais comum acontecer nas licenciaturas do que nos mestrados, como assinala o relatório.
O relatório avalia ainda o número de horas semanais dedicadas a um trabalho pago.
Num terço dos países, a média é inferior a 10 horas por semana. É o caso de Portugal (nove horas em média), Dinamarca, Itália, Suíça, Albânia, França, Sérvia, Turquia e Suécia. Em Portugal são os alunos de cursos de Gestão, Administração e Direito os que mais horas dedicam a um trabalho pago enquanto estudam (14 horas semanais). Os de Matemática, Estatística e Ciências passam apenas três horas semanais a exercer um trabalho pago. Como seria de esperar os que ainda vivem com os pais são os que menos conciliam estudos e trabalho (seis horas, quando a média dos 28 países é 10).
O perfil do Eurostudent mostra ainda o background familiar dos alunos. Em Portugal apenas 35% têm pais que também têm um grau superior. A média dos 28 países é 47%. Na Alemanha 73% dos alunos têm pais diplomados.
Mais dados sobre o estatuto socioeconómico dos alunos: um em cada cinco portugueses (22%) diz que os pais “não estão bem na vida”. A média é 20%.