Nem despacho de vagas, nem quebra nas notas dos exames de Matemática, nem fatores demográficos.
Para o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, o que explica a redução "relativamente baixa" de cerca de três mil candidatos (2956) na primeira fase de acesso ao ensino superior, que terminou com 49 624 inscritos, é "o aumento brutal do mercado de trabalho de relativas baixas qualificações, particularmente induzido pelo crescimento do turismo".
Uma evolução, diz, que torna ainda mais urgente a diversificação do tipo de cursos oferecidos nas instituições. Manuel Heitor cita dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), segundo os quais, entre jovens com menos de 24 anos que concluíram o ensino secundário, "o emprego aumentou quase 40%" nos últimos anos.
Hoje, são cerca de 165 mil", diz, acrescentando que alguns destes jovens "nem sequer se inscrevem nos exames" do ensino secundário antes de tentarem a sua sorte no mercado de trabalho. “Isto implica claramente a evolução para um novo perfil de estudante e uma necessidade absoluta de conjugarmos as estratégias das instituições do ensino superior com uma população de estudantes que trabalham ao mesmo tempo".
Não é o perfil típico das instituições do ensino superior, que se especializaram sobretudo em jovens da formação inicial", considera. "Muitas instituições não têm um único curso noturno."
A esse nível, Heitor defende que o governo está já a apontar o caminho, nomeadamente através do novo regime legal de graus e diplomas que, entre outras medidas, como a possibilidade de os politécnicos atribuírem doutoramentos, vêm "alargar a oferta de cursos curtos", tanto nos ciclos iniciais como no que respeita pós-graduações.